Os gloriosos feitos portugueses dos séculos XV e XVI, tão exuberantemente cantados e imortalizados pelo genial vate Luiz de Camões no célebre poema Os Lusíadas, ampliaram sobremodo o mundo então conhecido, com notáveis efeitos políticos, econômicos, sociais, religiosos e comerciais. Tais efeitos não teriam sido possíveis se, nos séculos XIV e XV, não houvesse sido constituída a “Escola de Sagres”, tendo por trás dela uma plêiade de homens excepcionais, que elaboraram a partir de Lagos um planejamento estratégico digno dos especialistas e professores de nossos dias. Apesar de todos os riscos com o desconhecido, Portugal ousou.

Com seus acertos e apesar dos erros característicos da sua época, possibilitou o surgimento de uma nova janela de oportunidades para o homem europeu e outras interações com o resto do mundo.

O nosso objetivo é colocar a história de nosso Brasil no devido lugar neste momento histórico das Civilizações, contextualizado então, em patrimônio da Ordem de Cristo.

Para isso, temos a linguagem histórica, aquela que guarda, resguarda e salvaguarda as ideias, o pensamento, a maneira de estar do homem e da mulher, no conjunto dos acontecimentos de determinada época ida e vivida.

Um documento por si só se explica, não se interpreta. Não se repensa, nem se renova o conteúdo vivo da documentação existente. Procuramos mostrar como os acontecimentos se produziram e como as consequências vieram, segundo as circunstancias.

Mais por isso não mudamos a história, apenas a tornamos mais bonita.

Ao final desta compreensão, descobre-se como não é fácil, conduzir os povos, assim como não é fácil fundar e conservar uma nação, como é a nação brasileira, na dimensão do tempo e do espaço.

Não nos assiste o direito de julgar o que já passou em julgado. O que era a Terra de Vera Cruz, naquela radiosa manhã de 22 de abril de 1500, quando Pedro Álvares Cabral a descobre e toma posse dela, mansa e pacificamente, em nome de D. Manuel I, rei de Portugal e Grão-Mestre da Ordem de Cristo.

Queremos aqui, e devemos registrar, a nossa mais interna admiração e prestar a mais justa homenagem aos navegantes dos séculos XV ao XVIII, muitos deles absolutamente ignorados, em grande parte lacobrigenses que, dispondo de rudimentares e escassos meios de navegar, puderam espantar o Mundo com suas arrojadas viagens e seus monumentais descobrimentos, de que hoje, todos os povos se aproveitam.

Assim, todas as nações decorrentes, são gratas ao Infante D. Henrique, o Príncipe do Atlântico, que honrosamente o consagramos como nosso Patrono, cuja vida foi inteiramente consagrada à tarefa sobre-humana de abrir os caminhos do mundo para os portugueses semearem pela terra o luso-cristianismo, a beleza humana da palavra divina e o humanismo renascentista para humanizar o luso tropicalismo, a civilização lusíada, ecumênica, genuinamente portuguesa, a fim de atar os povos, sim, pelos laços da língua portuguesa, a língua da fraternidade humana.

A ela, se referiu Fernando Pessoa, “A minha pátria é a língua portuguesa”, escrevendo:

“Ao Infante D. Henrique:

Em seu trono entre o brilho das esferas,
Com o seu manto de noite e solidão,
Tem aos pés o mar novo e as mortas eras,
O único imperador que tem, deveras,
O globo mundo em sua mão. ”

Professor Wilson Cruz
Diretor Geral do Memorial da Epopeia do Descobrimento

A Carta de Pêro Vaz de Caminha